O filme “Errante” é baseado no processo de construção da obra homônima do artista HECTOR ZAMORA.
Tendo esta criação como base,o filme é construído como um diário de sensações, pensamentos e idéias materializados em imagens, textos e sons. O filme nasce de imersões que percorrem o eixo em torno do rio Tamanduateí no centro de São Paulo (local onde a obra se instalará). Este diário revela os diversos contrastes, paralelismos e embates que permeiam os sujeitos do filme: “o artista” (Hector), “a obra” em si (as árvores que pairam sobre o rio), “os construtores” (os diversos agentes envolvidos na construção da obra), “o entorno” (o local onde a obra se realizará), “os agentes do entorno” (gentes que transitam pelo local da obra: transeunte/espectador) e finalmente “o olhar” (a interpretação da obra no filme).
A obra trás intrínseco a resignificação poética da margem. O que acontece “nas beiras” pode ser cotidiano, comum, banal, quase imperceptível. O choque arqutetônico, monumental, artístico da obra vai alterar a percepção que geralmente está no centro e não nas margens. Formamos um só corpo social e trocamos, adaptamos, reciclamos informações para que este corpo continue vivo e pulsando. O artista e o público são, ao mesmo tempo, receptores e difusores da informação artística.